O Arquitetura na 1ª infância leva pro meio do barro um projeto de educação e popularização de construção, e arquitetura, que tá ao alcance das mãos e dos pés, dando uma cara bem real à usualmente abstrata sustentabilidade. Nascido dentro do coletivo Ideias Urbanas, em Goiânia, o projeto coloca adobe, taipa de mão, taipa de pilão, construção modular e reciclagem no centro da atividade educacional, envolvendo desde crianças pequenas, adolescentes, professoras e até profissionais formados voluntários nas ações.
Para saber mais como é possível integrar arquitetura na educação infantil o Arqpop entrevistou o casal Filemon Tiago, arquiteto e urbanista, e Maira Martins, ambientalista, que integram o coletivo e está à frente do projeto.
Quem faz parte do projeto?
No Arquitetura na 1ª infância temos arquitetos, ambientalistas, professores de educação infantil e seus alunos e alunas de 5 a 10 anos, além de adolescentes e adultos quando atuamos fora da sala de aula na periferia. Além dos participantes do Ideias Urbanas contamos com voluntários que assumem um caráter mais flutuante.
Quem já foi afetado?
Entre todas as instâncias, perto de 1000 crianças já foram atingidas, desde uma creche (20 crianças), em uma escola com atividades mais continuadas (250), convidado por professores em escolas infantis (150), junto a termos de ajuste de conduta do MPGO (500) ou em institutos federais (50). E como é uma atividade aberta há um trabalho de expansão e manutenção das atividades. De uma certa forma as instituições também foram afetadas, com a persistência do projeto junto a elas caminhos se abriram e novas percepções do que é arquitetura, educação e sustentabilidade vão sendo construídas.

Quais os objetivos do projeto?
O foco é ensinar de forma ativa. Uma criança aprende com as próprias mãos todo um processo construtivo, e o aprendizado, a possibilidade de autonomia (supervisionada, mas sem ordem) para as crianças, aparece dessa metodologia que coloca a terra, e tantos outros materiais não usuais (do vernáculo esquecido ao reciclável) nas mãos das crianças. Em pouco tempo estão construindo “só” (em conjunto umas às outras).
Ter contato é ter possibilidade, de conhecer, de saber, de fazer e de replicar. A reprodução de uma arquitetura de baixa qualidade, ou a cópia de uma arquitetura elitista para caber na realidade da maioria da população pode ser enfrentada também ensinando (e aprendendo) arquitetura junto às crianças.

Como é feito (técnicas e métodos)? Quem paga?
As atividades são variadas, na construção da uma creche, o concreto da fundação e os tijolos modulares ecológicos foram doados, parte das oficinas tiveram voluntários e grosso da obra foi feito por construtores da região, remunerados. Nesse tipo de atividade muitas técnicas estão envolvidas, desde a gestão do dinheiro, mão de obra, doações, oficinas e mutirões, até a execução de tudo isso, que envolve projeto e compatibilização, além de didática. A atividade nas escolas, quando não há construções de maior porte, envolvem um recorte do que é enfrentado em uma atividade maior, como uma oficina específica e seus materiais. Nas diferentes instâncias também há trabalho com outros profissionais, principalmente quando o trabalho envolve construção e não só modelos, como engenheiros para laudos e cálculo estrutural. Outra parte muito importante pra viabilizar a participação, como atuamos em geral na periferia, é a comida pras crianças.
Para viabilizar financeiramente a execução de todas essas atividades há recurso de diversas fontes. A FNA apoiou o projeto, com o CAU e o CREA a conquista de editais de fomento, e no MPGO como parte de TAC. Muito do trabalho é voluntário e a remuneração de editais, por administração e gestão de projetos, comportam parcialmente os custos do trabalho principalmente quando a escolha do projeto é ambiciosa como uma creche, ao invés da costumeira palestra esvaziada. As vezes a prestação de contas é mais difícil que a construção, o que limita o acesso e a viabilização de expansão do projeto.

Onde encontrar o projeto?
O site do ideias urbanas concentra os contatos e rotineiramente nos comunicamos as atividades pelas redes sociais do coletivo, além de conhecer outros projetos como o ‘escola lixo zero’. Pais, alunos, professores, gestores, técnicos e voluntários podem entrar em contato em um dos diversos meios de comunicação.

